Realizado em 18 de março de 2026, o 2º Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) contratou 18.977 MW de potência, movimentando cerca de R$ 65 bilhões em investimentos e um total de 39 bilhões de Receita Fixa aos vencedores. Entenda os principais resultados, os vencedores e a distribuição regional da contratação.

O que foi o LRCAP 2026?

O 2º Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP 2026) é um mecanismo do setor elétrico brasileiro destinado a garantir a segurança no suprimento de energia ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Ao contrário dos leilões de energia, os leilões de capacidade remuneram a disponibilidade das usinas, ou seja, a garantia de que a potência estará disponível quando o sistema precisar, e não necessariamente a energia efetivamente gerada. Além disso, é exigido dos participantes determinado nível de flexibilidade mínima.

Realizado no dia 18 de março de 2026, o leilão negociou 8 produtos ao longo de sete rodadas, contemplando empreendimentos termelétricos novos e existentes, além de expansões de hidrelétricas, com datas de início de suprimento escalonadas entre 2026 e 2031.

No dia 20 de março de 2026 foi realizado o 3º Leilão de Reserva de Capacidade, complementar ao realizado no dia 18. Esse último, para contratação de usinas a óleo e biocombustíveis.

 

Principais resultados

O LRCAP 2026 encerrou com um volume de contratação significativo, próximo ao previsto pelo Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2035).

A potência contratada foi distribuída entre três categorias de empreendimento:

  • Termelétrica Nova: 8.866 MW (60 projetos)
  • Termelétrica Existente: 7.609 MW (35 projetos)
  • Expansão de Hidrelétrica (UHE): 2.502 MW (5 projetos)

Um ponto relevante foi a ausência do produto térmico 2030: nenhuma usina termelétrica foi contratada para iniciar o fornecimento naquele ano, que ficou inteiramente coberto pelas expansões de hidrelétricas. O Edital do certame previa essa possibilidade, do cancelamento de determinada rodada em caso de sobrecontratação na(s) rodada(s) anterior(es).

 

Potência contratada acumulada por ano

A incorporação da capacidade ao sistema ocorre de forma gradual, acelerando a partir de 2028, quando o maior volume de projetos novos entra em operação. Os gráficos abaixo mostram a potência negociada a cada ano e a potência acumulada ao final de cada período de suprimento.

O salto mais expressivo ocorre em 2028, quando mais de 7.300 MW são adicionados ao sistema em um único período, reflexo da grande quantidade de projetos termelétricos novos contratados para essa data.

Deságio e receita fixa por produto

A tabela abaixo detalha o deságio médio obtido em cada produto e a respectiva receita fixa média por MW contratado:

ProdutoTipoDeságio médioReceita Fixa Média (MM R$/MW.ano)
2026Termelétrica existente2,2%1,719
2027Termelétrica existente0,3%1,820
2028Termelétrica nova8,2%2,456
2028Termelétrica existente0,0%1,856
2029Termelétrica nova3,7%2,622
2029Termelétrica existente0,0%2,041
2030Expansão UHE0,9%1,392
2031Termelétrica nova16,9%2,209
2031Termelétrica existente0,0%1,706
2031Expansão UHE1,4%1,400

O produto 2031 para termelétrica nova registrou o maior deságio do leilão (16,9%). Já os produtos de empreendimentos existentes foram contratados sem deságio a partir de 2028, quando houve início da contratação de empreendimentos novos.

Contratação por estado

A distribuição geográfica dos projetos revela, como esperado para um certame que contrata usinas a gás, concentração de projetos no Nordeste e o Sudeste.

 

Rio de Janeiro — Maior número de projetos

O Rio de Janeiro liderou em número de projetos, com 15 UTEs contratadas e 3.361 MW de potência total. O estado concentra grandes usinas existentes que foram recontratadas, como UTE Norte Fluminense (810 MW), Termomacaé (878 MW) e  Santa Cruz (500 MW), além de projetos novos como a UTE Tupã da Global, a UTE Nova Era da Natural Energia e 600 MW de projetos localizados no Porto Norte Fluminense.

Ceará — Maior volume de MW contratados

O Ceará registrou o maior volume de potência contratada entre todos os estados, com 2.985 MW distribuídos entre 7 UTEs. O estado foi impulsionado principalmente pelo Complexo Jandaia da ENEVA (Jandaia I, II e III, com mais de 1,6 GW combinados) e pelas recontratações das usinas a carvão Porto do Pecém I e II.

NOVASEXISTENTES
ESTADOSUBMER-CADONÚM. DE PROJETOSPOTÊNCIA OFERTADA

(MW)

NÚM. DE PROJETOSPOTÊNCIA OFERTADA

(MW)

ACSE12700
ES44953134
MG00179
MS003455
MT25400
RJ776382.598
SP37113384
PRS002671
RS001550
SC29300
ALNE1258800
BA74373284
CE41.83931.146
PB233315
PE5611274
PI481000
RN001107
SE41.49500
APN122900
MA128041.123
PA110100
Total608.866357.609

 

Expansões de hidrelétricas

O LRCAP 2026 também contemplou a modernização e ampliação do parque hidrelétrico nacional, com 5 projetos de expansão de UHE contratados para os produtos 2030 e 2031:

 

Empreendimento
Empresa
UF
Bacia
Potência Ofertada (MW)
Produto
Deságio
UHE Segredo
Copel
PR
Iguaçu
1.172
2030
0,4%
UHE  Foz do Areia
Copel
PR
Iguaçu
690
2030
0,4%
UHE São Simão
SPIC
GO
Paranaíba
253
2030
1,4%
UHE Jaguara
Engie
SP
Grande
196
2030
1,4%
UHE Luiz Gonzaga
AXIA
PE
São Francisco
190
2031
0,0%

 

 

Análise elaborada com base nos resultados oficiais do 2º Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP 2026), realizado em 18 de março de 2026.